terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Preconceitos



PRECONCEITOS

Me disseram um dia “ Como é que seu marido te agüenta”? você é louca? Deveria procurar um psiquiatra. Se eu te ver na rua faço de conta que não te conheço e atravesso para não cruzar com você.

Meu coração doeu, sabe porque? Vou contar:

Em 2006, minha filha então com 10 anos me pediu para ir a um festival e quis se fantasiar, era de fada mas não uma fada comum, uma fada de desenhos japoneses. Não estranhei muito, ela já se vestia de Sailor Moom desde muito pequena e eu sempre acompanhei estes desenhos, mas o primeiro aviso “ Cuidado lá só vai EMO”.
Não só a levei, como fiquei para ver os temidos EMOS. Foi meu primeiro contato com este preconceito. Lá eu vi crianças e jovens lindos com toda a expressão de sua arte.
Depois disto fui a diversos festivais de anime, até que resolvi brincar também, e assim me transformei em Fiona.

Foi por causa de um festival destes e de ter me vestido de Fiona que recebi o comentário acima.

Pensei, fiz mal a quem? Porque expressar o lúdico, a alegria é ridículo?

Respondo isto é preconceito. Preconceituosa que sou, tenho raiva de preconceitos.

Tenho preconceito do pensamento do marido – Para mim um casamento é a união de duas pessoas que se amam, e a felicidade de um é intrinsecamente ligada a felicidade do outro, portanto o marido não agüenta a esposa, ele compartilha com ela a vida. A esposa não atura o marido, mas compartilha com ele sua vida, a alegria dele é a dela, O sofrimento dela é o dele.
Tenho preconceito de Idade – Acho que todos, independente da idade podem tudo
Tenho preconceito de Religião – Para mim Deus é Amor e não Time (porque igrejas e padres e pastores e gurus e o que seja),
Tenho preconceito de Cor – Para mim todos são lindos e as cores quanto mais se misturam mais linda a humanidade fica.
Tenho preconceito contra a pobreza – Para mim a exploração do outro é todos os crimes o maior, e maior preconceito ainda por políticos que usam a pobreza como moeda de voto.
Tenho preconceito de machões (James Bond) – Para mim mulher não é artigo de consumo
Tenho preconceito de Funk – Para mim as canções são para exaltar o amor , a amizade, divertir, chorar, se emocionar , e não para açular violência, denegrir o outro e exaltar tudo que é ruim.
Tenho preconceito de propaganda de camisinha – Para mim sexo tem haver com amor, amor com responsabilidade, responsabilidade com respeito. Onde encontramos estes três não há porque a existência do sexo casual que surge em uma balada, balada é para dançar e não para transar.
Tenho preconceito de Loura burra – Para mim todos, mulher e homem, nasceram com o dom divino da inteligência e nenhuma mulher precisa de se fazer de burra para seduzir e só utilizar o corpo para viver.


Tenho preconceito de inclinações sexuais – Para mim amor e amor, e se existe respeito, e responsabilidade não vejo a diferença.

Tenho preconceito sobretudo a todos que entram em sua verdade e não podem ver a verdade dos outros, que tomam a sua vidinha sem sal e tentam imprimi-la na vida dos outros. Pensando bem, não tenho preconceito disto não, tenho é dó é muito triste ver a vida pela estação e não entrar no trem.

Portanto, continuarei a ser como sou, com meus erros, meus acertos, minhas convicções.

7 comentários:

Valéria Sanches disse...

Maninha. Amei!!! Adoro as fantasias e tenho todas as fotos em meu computador. Faço questão de pegá-las. Adorei ver meu filho tirando fotos com você. Eu nem sabia que ele ia nestes festivais. Digo mais, não sabia que existiam até que você e minha linda afilhada começaram a participar. Um dia destes quero ir também aplaudir vocês. Beijos
Valéria Sanches

Em tempo - Faltaram as fotos.

Lete disse...

muito obrigado, ficaria triste de ter de mudar por motivos banais. Agora, entre no meu blog, faça uma escritora feliz. bjs

Lete disse...

Sou tão ruim neste negocio que nem vi que você já é uma seguidora, obrigadooooooooo

Claudia Marcia disse...

Fantástico Letícia! É isto aí! Quando a gente se casa com alguém, é por inteiro.
A gente tem que ser a gente mesmo com quem a gente ama.
Nada como um ser verdadeiro, que pode se expressar do jeito que quiser.
Afinal liberdade é isto aí.
Deus nos deu o livre arbítrio, e isto implica em escolhas.
Você pode escolher ser como quiser. Se fantasiar, ser alegre, ser autentica, participar do dia a dia dos filhos, curtir as pessoas, com a intensidade que desejar.
E curtir um evento anime numa boa.
Afinal, tem tanta gente boa lá, não é mesmo.
E sabe de uma coisa?
Muito de tanto preconceito é a inveja de não ter a coragem de fazer o que você faz.
Ser feliz, participar da vida de seus filhos, dividir sua autenticidade com seu marido, isto pra alguns, é inatingível.
E o que é o normal?
Será que as pessoas preconceituosas se acham normais?
É normal ficar metendo o 'bedelho' na vida alheia?
Eu prefiro assim:
- Cada um no seu quadrado.
Melhor é a gente viver e ser feliz. E deixar estas pessoas que se incomodam tanto com a vida dos outros, se perderem em sua própria infelicidade.
Beijão.
Cláudia

Lete disse...

Não é verdade? parece que as pessoas tem medo do diferente, e isto é triste, pois são as diferenças que fazem o mundo crescer.

Claudia Marcia disse...

Leticia, sabe o que eu estava pensando hoje?
É muito triste quando a vida bate tanto nas pessoas, que elas se decepcionam tanto com o ser humano, a ponto de se tornarem frias e calculistas.
Eu penso que o mundo precisa de gente que ainda acredita nas pessoas, no que o ser humano ainda tem de bom dentro dele.
Se existissem mais pessoas que acreditassem mais no amor e na amizade(de verdade, tô falando do fundo do coração), o mundo seria melhor.
Tem muita gente boa aí, que de tanto apanhar, desistiu e se uniu ao lado negro da força.
Vou te dizer uma coisa... você não tem idéia de quanto isto me dói.
Mas independente do que pode estar acontecendo, eu continuo acreditando que a gente sempre...sempre mesmo... deve tentar ser um ponto de luz no universo.

Não adianta ir pro lado negro da força. Isto não muda nada. Só piora.

Se mais gente pensasse como nós o mundo seria muito melhor.
Uma maneira de melhorar o mundo é difundir esta maneira de ser e de acreditar que o ser humano, por mais falho que seja, ainda vale a pena.
Brincar, sorrir, dar uma chance ao outro, desarmar o coração.
As pessoas estão precisando se desarmar um pouco.
Não vai ser com a espada que conquistarão a felicidade.
E o pior é que a maioria continua sem enxergar isto.
Que a natureza divina possa manifestar em nosso mundo mais pessoas desarmadas, e com fé no ser humano.
E que estas pessoas brinquem, amem, vivam a vida com prazer e com alegria.
Só desta forma o mundo poderá ser um lugar melhor... um lugar feliz.
Beijos.
Cláudia

Lete disse...

Cláudia, te adoro!!!!! Você foi um grande presente, como gosto de ler seus comentários.