terça-feira, 24 de novembro de 2009

A respeito do Filme - Lula o filho do Brasil

Lula o filho do Brasil, é o mais novo filme brasileiro. Confesso que fiquei preocupada quando vi este lançamento.
Em meio a tantos vampiros e fins de mundo, acreditei que estava vendo um filme que deveria vir com tarja preta. “Este filme pode provocar alterações na sucessão presidencial”.
Não porque houvesse mortes eletrizantes, ou sensuais chupadas (de sangue é claro), mas porque estaria vendo o fim de uma democracia tão demorada para chegar.
Fui criado dentro da ditadura militar , sempre me lembro de que quando ia ao cinema, antes de começar o filme, passava a propaganda política, com o pomposo nome de “ curta Brasileiro”.
Um filme exaltando a infância pobre de nosso querido presidente, e sua vida, principalmente política em um período de eleição, me pareceu um tanto tendencioso e um tanto quanto estratégico para um novo mandato como almejam vários presidentes da nossa querida América do sul, mas com uma embalagem diferente.
Não quero com isto dizer que nosso presidente popular seja um mal governante, não acredito nisto, acho até que ele está como a loura da piada que salta do 20º. Andar de um prédio e no 15º. Pensa ,“até aqui, tudo bem”.
Então, penso, até aqui tudo bem, mas daí a continuar já é outra história.
Estou falando disto porque o ufanismo patriótico que poderia ser gerado com um filme deste é muito forte, vemos vários exemplos disto na importância da propaganda no comportamento e valores que são facilmente alterados por meio da mídia.
Mas agora, minhas preocupações estão ficando no passado com os comentários que ouvi a respeito do filme.
Ele é ruim, tão ruim que acredito que minhas preocupações ruiram.

Propaganda boa ou propaganda ruim ainda assim é propaganda, que o diga a Uniban, onde se falou muito e ninguém saiu perdendo.

Gostaria que estes artifícios não fossem utilizados , mas como isto acontece, que pelo menos os acontecimentos não sejam ditados por eles.

Fica aqui meu desabafo....

2 comentários:

Hugão disse...

Leticia,
Não poderia concordar mais. Algo que atualmente me decepciona(e muito) é o fato de que as produções cinematográficas brasileiras foram corrompidas pelo tendencialismo e pelas comédias baratas. Não que boas obras não sejam produzidas pelas mãos de bons cinematógrafos brasileiros, bons filmes nacionais existem sim, só não são divulgados.
No mais, parabéns pela iniciativa! Criar e manter um blog não é uma tarefa fácil, mas a liberdade de expressão é uma dadiva divina.
Te desejo boa sorte e um abraço
Hugo

Kino Zimbres disse...

Minha cara,

Enquanto as produções cinematográficas americanas estão (Infelizmente) a ser minadas pela violência e sexo explícito, as produções brasileiras podem estar sob risco (Infelizmente) de virar propaganda (e política, inda por cima), como mostra esse filme sobre o Lula. Além, é claro, como outra colega bem disse, o tendencialismo e comédias baratas (assim como muitas peças de teatro que levam a palavra "comédia" no cartaz, só pra angariar público).

Filme brasileiro? Só me lembro de dois: O Auto da Compadecida (o único que gosto); o Homem Nu (vi mas detestei). O resto (tipo, os Normais etc) nem vale a pena.

Cadê o Mazzaropi, nosso Charles Chaplin tupiniquim? Cadê o Macunaíma? Esses sim eram produções legítimas. Hoje não resta muito além dos documentários de mídia independente improvisada, que possa ser chamada de genuína. As fábricas de ilusões (como a Globo e a Record que a imita) estão prestando um desserviço à nação.

Recebi o conselho de um ateu que já foi colega de turma no Ensino Médio. Me refiro a Caleb, vulgo Tadrel (mantinha até bem pouco tempo um site da turma no hpG, quando o serviço ainda estava gratuito) que disse o seguinte: NÃO REELEJA NINGUÉM.

Ou seja: a solução mesmo é o povo se mobilizar e ir às urnas, e JAMAIS DAR SEGUNDA CHANCE a quem já está no poder. Aliás, eles já têm grana demais, já devem ter seus iates e contas no exterior o suficiente pra sustentá-los.

É provável que não se vote na Esquerda ano que vem. Até porque Esquerda em francês é Gauche (pronúncia "gôshi"), palavrinha que aparece no poema do grande Carlos Drummond de Andrade:

"Quando nasci, um anjo torto,
desses que vivem na sombra,
disse: Vai, Carlos, ser gauche na vida." (C.D.A.)

E quem disse "gauche"? O anjo torto, como diz o poema. Assim, é pelos frutos que se conhece as árvores. Ou será que é possível que de espinheiro saia maçã? Se sair, é transgênico e fará mal à saúde rsrsrs...