Me disseram um dia “ Como é que seu marido te agüenta”? você é louca? Deveria procurar um psiquiatra. Se eu te ver na rua faço de conta que não te conheço e atravesso para não cruzar com você.
Meu coração doeu, sabe porque? Vou contar:
Em 2006, minha filha então com 10 anos me pediu para ir a um festival e quis se fantasiar, era de fada mas não uma fada comum, uma fada de desenhos japoneses. Não estranhei muito, ela já se vestia de Sailor Moom desde muito pequena e eu sempre acompanhei estes desenhos, mas o primeiro aviso “ Cuidado lá só vai EMO”.
Não só a levei, como fiquei para ver os temidos EMOS. Foi meu primeiro contato com este preconceito. Lá eu vi crianças e jovens lindos com toda a expressão de sua arte.
Depois disto fui a diversos festivais de anime, até que resolvi brincar também, e assim me transformei em Fiona.
Foi por causa de um festival destes e de ter me vestido de Fiona que recebi o comentário acima.
Pensei, fiz mal a quem? Porque expressar o lúdico, a alegria é ridículo?
Respondo isto é preconceito. Preconceituosa que sou, tenho raiva de preconceitos.
Tenho preconceito do pensamento do marido – Para mim um casamento é a união de duas pessoas que se amam, e a felicidade de um é intrinsecamente ligada a felicidade do outro, portanto o marido não agüenta a esposa, ele compartilha com ela a vida. A esposa não atura o marido, mas compartilha com ele sua vida, a alegria dele é a dela, O sofrimento dela é o dele.
Tenho preconceito de Idade – Acho que todos, independente da idade podem tudo
Tenho preconceito de Religião – Para mim Deus é Amor e não Time (porque igrejas e padres e pastores e gurus e o que seja),
Tenho preconceito de Cor – Para mim todos são lindos e as cores quanto mais se misturam mais linda a humanidade fica.
Tenho preconceito contra a pobreza – Para mim a exploração do outro é todos os crimes o maior, e maior preconceito ainda por políticos que usam a pobreza como moeda de voto.
Tenho preconceito de machões (James Bond) – Para mim mulher não é artigo de consumo
Tenho preconceito de Funk – Para mim as canções são para exaltar o amor , a amizade, divertir, chorar, se emocionar , e não para açular violência, denegrir o outro e exaltar tudo que é ruim.
Tenho preconceito de propaganda de camisinha – Para mim sexo tem haver com amor, amor com responsabilidade, responsabilidade com respeito. Onde encontramos estes três não há porque a existência do sexo casual que surge em uma balada, balada é para dançar e não para transar.
Tenho preconceito de Loura burra – Para mim todos, mulher e homem, nasceram com o dom divino da inteligência e nenhuma mulher precisa de se fazer de burra para seduzir e só utilizar o corpo para viver.
Tenho preconceito de inclinações sexuais – Para mim amor e amor, e se existe respeito, e responsabilidade não vejo a diferença.
Tenho preconceito sobretudo a todos que entram em sua verdade e não podem ver a verdade dos outros, que tomam a sua vidinha sem sal e tentam imprimi-la na vida dos outros. Pensando bem, não tenho preconceito disto não, tenho é dó é muito triste ver a vida pela estação e não entrar no trem.
Portanto, continuarei a ser como sou, com meus erros, meus acertos, minhas convicções.
